Concílios · 7º concílio ecumênico
Concílio de Niceia II
Sétimo concílio ecumênico (787): condenou o iconoclasmo e definiu a legitimidade da veneração das imagens sagradas, distinta da adoração devida só a Deus.
- Posição
- 7º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 787
- Local
- Niceia, Bitínia (atual İznik, Turquia)
Convocado pela imperatriz-regente Irene e presidido pelo patriarca Tarásio de Constantinopla, o concílio reuniu-se em Niceia, na Bitínia, de 24 de setembro a 23 de outubro de 787, em sete sessões e com cerca de 350 participantes — a maioria bispos orientais, com legados do papa Adriano I. Buscava reverter as decisões do concílio iconoclasta reunido em Hieria, em 754, sob o imperador Constantino V, que proibira a produção e o culto de imagens sagradas e desencadeara décadas de perseguição a seus defensores.
O concílio distinguiu entre a veneração (proskýnesis) devida aos ícones de Cristo, da Virgem, dos anjos e dos santos — semelhante à honra prestada à cruz, ao livro dos Evangelhos e a outros objetos sagrados — e a adoração (latría), reservada só a Deus. Quem venera a imagem, ensinou o concílio, venera a pessoa nela representada, não a matéria de que é feita. Promulgou ainda 22 cânones disciplinares sobre a vida clerical e monástica.
A definição de Niceia II não pôs fim de imediato ao conflito: o iconoclasmo teve um segundo período no Império Bizantino, entre 815 e 843, encerrado apenas com o chamado "Triunfo da Ortodoxia". No Ocidente, a recepção do concílio foi complicada por uma tradução latina defeituosa subjacente aos "Libri Carolini", atribuídos à corte de Carlos Magno; a doutrina de Niceia II prevaleceu, ainda assim, como ensino comum da Igreja sobre a veneração das imagens.