Concílios · 4º concílio ecumênico
Concílio de Calcedônia
Quarto concílio ecumênico, celebrado em 451 sob o imperador Marciano. Definiu que Cristo é uma só pessoa em duas naturezas, sem confusão, mudança, divisão ou separação.
- Posição
- 4º dos concílios ecumênicos
- Anos
- 451
- Local
- Calcedônia, Bitínia (atual Kadıköy, Istambul, Turquia)
Convocado pelo imperador Marciano, o concílio foi inicialmente marcado para Niceia e transferido para Calcedônia, na Bitínia, a fim de ficar perto de Constantinopla e da corte; abriu-se em 8 de outubro de 451 e encerrou-se em 1º de novembro. O papa Leão Magno não presidiu pessoalmente, fazendo-se representar por legados — entre eles Pascasino e o presbítero Bonifácio. O número de participantes é transmitido de modo divergente pelas fontes: o próprio Leão fala em 600 bispos, uma carta a ele dirigida fala em 500, e estimativas correntes apontam mais de 520, o que faz de Calcedônia o mais numeroso e mais bem documentado dos primeiros concílios.
O motivo imediato foi a necessidade de rever o segundo concílio de Éfeso de 449, o chamado "concílio dos ladrões", que dera razão ao arquimandrita Eutiques. Calcedônia condenou o ensinamento eutiquiano, ratificou solenemente o símbolo de Niceia e o de Constantinopla de 381, acolheu cartas sinodais de Cirilo de Alexandria e o Tomo de Leão a Flaviano. A "Definição da fé" foi aprovada na quinta sessão e promulgada na sexta, diante do imperador: um só e mesmo Cristo, perfeito na divindade e perfeito na humanidade, consubstancial ao Pai segundo a divindade e a nós segundo a humanidade, reconhecido em duas naturezas sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.
O concílio publicou ainda 27 cânones disciplinares sobre a administração e a autoridade eclesiásticas. O decreto conhecido como cânon 28 procurava elevar a sé de Constantinopla, a "Nova Roma", a uma honra comparável à de Roma, e não foi aceito pela Santa Sé. A recepção da fórmula das duas naturezas provocou a ruptura das igrejas que a recusaram, dando origem ao cisma calcedoniano, na raiz da separação das Igrejas ortodoxas orientais.